Em meio a alma empoeirada, eis o bolso exposto, a sentir.

18 de mar. de 2010

Inevitável



Sabe o que mais me incomoda? É não ver de novo a saudade do lado...
É dar o corpo a torcer, incrivelmente não poder mais.
Sutilmente as escolhas foram feitas e a confusão do trânsito se aloja em nossas mãos. O que fazer de fato? Acho que não é só a mim que o ‘esperar’ visita.
Cansei de estender a mão primeiro e de imaginar que a minha presença é mais importante que eu mesma.
E eu mesma? Posso tão facilmente ser confundida por vazio ou por inexistência?
Acho que só solidificas qualquer esperança vista pela porta, e manifestas a vontade de caminhar só, de autosaciar, de solfejar...
É minhas notas estão por ai, a música nunca mais tocou, um barco sem leme. Um disco...
Riscado, na estante... quem sabe um dia funcione.
Ela me acompanha todos os dias, é invasiva não tem jeito...
Vem sempre comigo, não como sinônimo de esperança, ela apenas preenche a lacuna.
Esta lacuna que modela e sustem algo, que ainda nem sei o nome, mas que se regenera cada dia em um tom diferente, seja de falta, de angustia, ou de interrogação.
Se eu consigo viver? Acho que sim, tenho que conseguir... Essa espera fez e faz parte de mim, me “completa” vazia, me sacia oca, me sustem fraca...
Se ela vai embora? Acho que não, bem provável que não.Talvez nunca...
Talvez ela nem queira ir, ou talvez ela nem queira ao menos chegar.
E, claro, o buraco que abarca todos eles, o choro, a porta, o canto, o tapete, o livro e o café, estão aqui, iluminando o que ainda não se pode ver.

Um comentário:

  1. As coisas são inevitáveis... As coisas evoluem, crescem e mudam transformam não podemos se culpar pelas mudanças... E nem se sacrificar tentando evitar... Junte as notas faça uma nova canção... Procure respostas e encontre novas interrogações... lembra-te que a espera vem sempre depois de uma ação... Como as flores que nascem depois da semeadura...

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Mais alguns minutos expostos...